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Ana María Ortiz: artista do seu destino


Depois de morar em Medellín, na Colômbia, na época dos conflitos armados que assolavam o país, e de trabalhar em um campo de refugiados sírios na fronteira com a Turquia, Ana María Ortiz quis deixar sua contribuição social. Por isso, ela decidiu abrir um espaço onde crianças e adolescentes pudessem usar a arte como um instrumento para se manifestar.

“Cheguei como repórter a um campo de refugiados na cidade de Kilis, mas acabei trabalhando em atividades artísticas com as crianças. Isso não estava nos meus planos, mas definiu meu futuro. Atualmente sou coproprietária de Artetallerismo, um espaço de iniciação artística, dedicado ao ensino de artes plásticas e visuais para crianças. Buscamos parcerias e convênios com instituições culturais e educativas da Cidade do México. Queremos ajudar e funcionar como um complemento aos programas artísticos e de formação de cada uma dessas entidades”, explica Ana.

“No México, já trabalhei com iniciativas sociais como a Todos somos Ayotzinapa, que usa a arte como instrumento de apoio às famílias dos 43 estudantes desaparecidos em setembro de 2014, perto da capital do país”, acrescenta Ana, 35 anos, formada em Meios Audiovisuais e mestre em Artes Visuais.

Para ela, a beleza é a busca constante do ser humano por conhecimento, motivo pelo qual acha fundamental nunca perder a capacidade de surpreender-se, de modo a transformar o cotidiano em uma aventura.

“Durante muito tempo não me importava com a aparência física, mas depois percebi que inteligência também é beleza. Desde então, ela ocupa um grande espaço na minha vida”, explica. Ana confessa que o que lhe rende mais elogios sobre seu físico é seu sorriso. “Acho que é uma consequência, já que estou satisfeita com o que faço”, acrescenta ela, que adora cozinhar e curtir uma boa comida.

ana3Inspirações

Ana María Ortiz diz que seus pais foram as pessoas mais importantes de sua vida: sua mãe foi a primeira mulher que a inspirou, por ensinar que o mundo é um ótimo lugar para viver. Por outro lado, a morte de seu pai lhe mostrou como os seres humanos são frágeis e a importância de se deixar um legado.

Mas ao citar uma mulher que a tenha marcado, Ana confessa que Brigitte Baptiste (Luis Guillermo) é uma das mulheres que ela mais admira. A bióloga transgênero colombiana, especialista em meio-ambiente e em biodiversidade, atualmente é a diretora do Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt.

O sonho de Ana é que a arte seja acessível para todos, em uma sociedade igualitária e, sobretudo, íntegra. Ela afirma que gostaria de abrir caminhos onde a arte seja a pergunta e a resposta ao mesmo tempo.

“A delicadeza não é uma fraqueza”, é uma das frases que ajudam a defini-la. Para Ana, é preciso coragem para ser delicada em um mundo tão cruel.

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