Marisol Cal Y Mayor

Marisol Cal y Mayor: beleza em movimento


A dança permite apoiar diferentes causas altruístas e terapêuticas. Esse é o pensamento da bailarina mexicana Marisol Cal y Mayor, que desde criança gostava de inventar coreografias na sala de sua casa.

“A dança pode ajudar a construir uma sociedade melhor, com aulas para pessoas com deficiência ou idosos. Trabalhos com detentos em penitenciárias da Cidade do México também evidenciam isso. São iniciativas muito enriquecedoras. Acho que promover a beleza e o corpo sem fins lucrativos ou sexuais é uma causa social, por si só. Já fiz várias apresentações gratuitas, pelo simples prazer de atuar”, explica Cal y Mayor, hoje com 31 anos.

Quando estudava Literatura Inglesa na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), Marisol teve a chance de fazer licenciatura em dança no estúdio onde tinha aulas, o Contempodanza. Com isso, teve acesso a um panorama muito amplo de estilos e técnicas de movimento, e encontrou um ponto em comum entre ambas as carreiras, já que, para ela, a literatura se funde de forma temática com a dança, ao inspirar e nutrir a bagagem cultural refletida pelo artista quando ele se apresenta diante do público.

 

Herança de ousadiaMarisol Cal y Mayor
Embora sua tia-avó fosse bailarina em uma época em que o ofício não era bem visto, a mãe de Marisol se opôs à decisão da filha, por causa dos sacrifícios econômicos e físicos exigidos pela carreira.

Apesar dos obstáculos, Marisol se tornou bailarina há dez anos. Nesse período, ela trabalhou em companhias como Camerino4, Mitrovica e Danza Capital, entre outras. Em 2012 ela estreou seu primeiro espetáculo como coreógrafa, Ave que nunca voló, e colabora na mesma função para a companhia La Máquina del Teatro e no Festival ASVOFF México.

Também em 2012, ela criou a Altagracia, companhia independente onde pode estrear seu primeiro espetáculo, FRAGILANIMALA, sobre a fragilidade do amor e o poder da sedução.

Mas, em sua vida, nem tudo acontece nos palcos. Marisol também mostrou sua beleza e virtuosismo no cinema: “Participei do filme ‘Man On Fire’, de Tony Scott, na primeira cena, do sequestro do meu ‘namorado’. Também dancei na cena final do filme ‘Treading Water’, de Analeine Cal y Mayor. E fiquei muito emocionada por participar do curta ‘Ofelia’, um vídeo de dança em 3D que vamos terminar daqui a alguns meses”, afirma Marisol, que já está trabalhando em seu próximo projeto, Killing me Softly, que conta com o apoio do FONCA (Fondo Nacional para la Cultura y las Artes), de onde recebe uma bolsa.

Desafios
Marisol tem certeza de que sua profissão não é efêmera, ainda que acredite que é um trabalho que se transforma com o passar do tempo; o corpo envelhece e se torna menos flexível, mas também ganha experiência e personalidade nos palcos.

Ela destaca que a dança é extremamente competitiva, mas “se as metas estão claras e queremos chegar até elas de uma forma amorosa e saudável, sem se importar com a inveja e as diferenças entre os colegas, é possível construir uma carreira sólida”.

“O melhor do meu trabalho é a experiência de estar nos palcos, a sensação de dominar seu próprio corpo e os movimentos; é um ofício muito divertido e criativo. No entanto, é bastante cansativo e mal pago. Para ser uma boa bailarina é preciso ter confiança em si mesma, perceber-se diferente dos demais e única. Adoraria que os mexicanos se aproximassem mais da dança, do conhecimento e dos cuidados com o corpo”, diz Marisol, que já se apresentou em países como Equador, Portugal, Estados Unidos, Canadá e República Tcheca (onde ganhou o Grand Prix no festival New Prague Dance, em 2008).

Dona de um virtuosismo invejável, Marisol garante que todas podemos conseguir fazer as piruetas que ela realiza com tanta desenvoltura: “Qualquer mulher pode ser bailarina, mas é preciso ter muita disciplina e paciência. No meu caso, admiro todas as mulheres mexicanas independentes e empreendedoras, e as mães mexicanas que trabalham”, revela a artista que, além de dançar, gosta de ler, cantar e mergulhar no mar. “Se eu não tivesse sido bailarina, teria sido cantora”, confessa. O motivo? “Acho que cantar é uma ação interna e sincera”, conclui.

Mais informações sobre Marisol http://marisolcym.wix.com
Facebook: www.facebook.com/AltagraciaDanza

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